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Após assassinato de jornalista no Maranhão, mais repórteres e editores do estado revelam receber ameaças



Após o assassinato do jornalista maranhense Décio Sá, do jornal O Estado do Maranhão, no último dia 23 de abril, outros repórteres e editores do estado relataram também receber ameaças frequentes , segundo o portal Último Segundo.

As revelações corroboram as informações sobre ataques a jornalistas e sobre a liberdade da imprensa brasileira divulgadas recentemente. A Sociedade Interamericana de Imprensa (SIP), por exemplo, publicou um relatório no último dia 23 no qual aponta para um aumento nos casos de assassinatos de jornalistas no Brasil: em seis meses, 27 crimes e violências contra membros da imprensa foram registrados.

O país também ocupa a 99ª posição no ranking de liberdade de imprensa divulgado em janeiro deste ano pela organização Repórteres sem Fronteiras, e é o 11º país do mundo onde assassinatos de jornalistas mais permanecem impunes, segundo levantamento do Comitê de Proteção a Jornalistas (CPJ), divulgado no último dia 17.

Ao menos dois jornalistas contaram ter recebido ameaças após a morte de Sá: Neto Ferreira e Gilberto Léda, autores de blogs sobre política da região. Marco Aurélio D'Eça, colega de Sá na editoria de política de O Estado do Maranhão, também afirma ser alvo de ameaças. "Eu não ando mais tranquilo. Quando uma moto chega próxima do meu carro, surge o receio de que algo aconteça”, afirmou o jornalista ao Último Segundo. Todos os casos foram relatados ao secretário de Segurança Pública do Maranhão, Aluisio Mendes.

Amigos contam que o próprio Sá recebia ameaças constantes, embora a família da vítima afirme que o jornalista nunca havia relatado nada parecido, segundo o G1. Sá estava num bar em São Luiz (capital do estado) quando um homem entrou e disparou cinco tiros, dos quais três atingiram a cabeça.

Depoimentos vazados
Enquanto o cerceamento à liberdade de imprensa no Maranhão se delineia, a investigação do assassinato de Sá se dificulta, segundo a Secretaria de Segurança Pública (SSP) do estado. Três depoimentos de testemunhas que viram o crime acontecer foram divulgados na internet, segundo o portal UOL. A SSP confirmou hoje a autenticidade dos documentos, seis dias após a polícia do Maranhão ter decretado sigilo das investigações, como informa o Estado do Maranhão.

Embora os depoimentos tenham sido divulgados sem os nomes dos depoentes, para a SSP o vazamento coloca em risco as testemunhas que já prestaram depoimentos. "Já havia uma dificuldade em encontrar pessoas que viram o crime", comenta Mendes.



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