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Liberdade de imprensa diminuiu nas Américas, diz relatório da organização Freedom House




Menos de 15% da população mundial vivem em países com total liberdade de imprensa - o nível mais baixo em mais de uma década -, segundo o mais recente relatório da organização Freedom House, Liberdade de Imprensa 2012, publicado no dia 1 de maio. O ranking mundial foi divulgado às vésperas do Dia Mundial da Liberdade de Imprensa, em 3 de maio.

O levantamento conclui que, pela primeira vez em oito anos, a liberdade de imprensa não caiu a nível mundial. No entanto, dos 197 países e territórios analisados, apenas 33,5% (66) foram classificados como "livres". O número de países "parcialmente livres" aumentou para 72 (36,5%) e 59 países (30%) foram classificados como "não livres". A maior parte da população mundial (45%) vive em países com uma imprensa "parcialmente livre", de acordo com o relatório. O ranking calcula o nível de liberdade considerando três categorias: legal, política e econômica.

Enquanto, no mundo, não se registrou uma real diminuição da liberdade de imprensa - que inclusive aumentou no mundo Árabe --, nas Américas a liberdade de imprensa ficou comprometida em 2011. Chile e Guiana passaram da categoria "livres" para e "parcialmente livres". A situação do Equador piorou significativamente. A liberdade de imprensa segue restrita em Cuba e na Venezuela. O risco para os jornalistas no México, também influenciou na colocação do país -México e Honduras permanecem na lista de países "não livres"-, (veja mapas do Centro Knight sobre os ataques à imprensa no México e na América Central). Ainda que os Estados Unidos continuem sendo um dos países com maior liberdade de imprensa na região, também foram prejudicados pelos casos de detenções de jornalistas durante protestos do movimento Occupy.

Ressaltando a "frágil liberdade de imprensa" na América Latina, o relatório argumenta que "seja pela violência de grupos criminosos, como no México e em Honduras, ou pela hostilidade do governo, como na Venezuela, na Argentina e na Bolívia, a liberdade da mídia se vê ameaçada na maior parte da região".

Em relação às Américas, em 2011, 15 países (43%) foram classificados como "livres"; 16 (46%), como "parcialmente livres" e 4 (11%), como "não livres". Isso significa que 44% da população da região vivem em países "parcialmente livres"; 30%, em países "livres" e 17%, em países "não livres". O levantamento destaca ainda que a América do Norte e a maioria dos países do Caribe equilibram grande parte do panorama negativo nas Américas do Sul e Central. Considerando apenas os países latino-americanos de línguas portuguesa e espanhola, só 1,5% da população vive em países com total liberdade de imprensa.

Apesar de alguns avanços na região, como a aprovação de leis de acesso à informação e a despenalização do crime de difamação, a diminuição da liberdade nas categorias política e econômica acabou pesando mais. O relatório cita, por exemplo, a violência contra jornalistas no México e em Honduras, ligada aos traficantes, à polícia e a políticos. Além disso, foram citadas a preseguição do presidente do Equador, Rafael Correa, a jornalistas de oposição e as prisões de jornalistas que cobriam protestos no Chile.

A Classificação Mundial de Liberdade de Imprensa 2011-2012, da Repórteres Sem Fronteiras, já havia destacado a diminuição da liberdade de imprensa no Brasil, no Chile e no Estados Unidos.

Nota do editor: Summer Harlow, autora deste texto e integrante da equipe do Centro Knight, atuou como analista na organização Freedom House, ajudando a organizar o ranking da liberdade de imprensa nas Américas.



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