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Jornalista televisivo morto em Honduras após receber ameaças é o primeiro comunicador assassinado no país em 2019



*Esta nota foi atualizada para incluir declarações do Comitê para a Proteção dos Jornalistas e da Sociedade Interamericana de Imprensa.

O jornalista Gabriel Hernández foi assassinado no dia 17 de março no departamento de Valle, no sul de Honduras, segundo reportou a imprensa local.

Television journalist Gabriel Hernández was killed in southern Honduras on March 17. (Facebook)

De acordo com o Comitê pela Livre Expressão de Honduras (C-Libre), Hernández caminhava em direção à sua casa no município de Nacaome por volta do meio dia de domingo quando foi atacado por uma pessoa armada que o atingiu com seis disparos.

A Rede de Alertas e Proteção a Jornalistas e Comunicadores Sociais (RAPCOS) compartilhou em sua página no Facebook o que afirma ser o informe policial da ocorrência do assassinato de Hernández. Segundo o informe, testemunhas afirmaram que “um indivíduo que andava a pé o interceptou e realizou vários disparos contra ele, deixando o agora falecido ferido de gravidade”.

O informe afirma que Hernández foi levado por amigos a uma clínica privada, onde morreu em decorrência dos disparos.

A pessoa que atirou e a motivação para o crime ainda não foram identificadas.

Gabriel Hernández tinha 54 anos e trabalhava para o canal Valle TV, segundo informou a Efe. Ele era diretor e apresentador do programa “El pueblo habla” (“O povo fala”), “onde era crítico à gestão municipal e aos deputados do departamento”, afirmou C-Libre.

O Comitê observou que em 2015 já havia registrado ameaças, agressões policiais e negativas de informação a Hernández por parte das autoridades municipais, lideradas por Víctor Flores, prefeito de Nacaome.

A RAPCOS em Nacaome informou C-Libre que Hernández havia solicitado medidas ao Mecanismo Nacional de Proteção do governo hondurenho, mas que a entidade respondeu que as medidas “não se aplicavam” ao caso do jornalista. O Comitê disse que entrou em contato por telefone com o Mecanismo, “que assegurou que Hernández ‘não era beneficiário do sistema de proteção’”. Questionada se as medidas haviam sido negadas ao jornalista, “a pessoa assegurou desconhecer o tema e indicou que a área de recepção de casos teria dita informação”.

O Centro Knight tentou contatar a Secretaria de Direitos Humanos, da qual depende o Diretório Geral do Sistema de Proteção, mas não conseguiu alguém que pudesse falar. Também não conseguiu encontrar um contato no Sistema de Proteção Nacional.

C-Libre disse ter registrado vários casos de investidas contra jornalistas nos departamentos de Valle, de onde era Hernández, e no vizinho Choluteca, como condenação judicial, agressão policial e campanhas de desprestígio contra profissionais.

Em nota oficial, C-Libre exigiu a investigação do assassinato de Hernández e afirmou que “o Estado não cumpriu com a obrigação de prevenção da violência contra a imprensa na zona sul ainda que há tempos se tenha posto em conhecimento do Sistema Nacional de Proteção a Defensores de Direitos Humanos e Jornalistas sobre a situação de risco real que enfrentam as e os jornalistas nos departamentos de Valle e Choluteca”.

O Comitê para a Proteção dos Jornalistas (CPJ) também exigiu uma investigação sobre o assassinato.

"Autoridades devem agir para garantir que o nome de Hernández não seja adicionado à longa lista de jornalistas hondurenhos cujos assassinatos foram cometidos em completa impunidade", disse Natalia Southwick, coordenadora de programas para a América Central e do Sul do CPJ, segundo um comunicado de imprensa da organização.

A Sociedade Interamericana de Imprensa (SIP) também apontou problemas de impunidade e "ineficiência das medidas de proteção existentes".

Hernández “é a primeira pessoa vinculada aos meios de comunicação que perde a vida em circunstâncias violentas até o momento em 2019 e é a 77a desde outubro de 2001”, de acordo com a Comissão Nacional dos Direitos Humanos em Honduras (Conadeh). O órgão acrescentou que “92% dos crimes contra jornalistas, comunicadores sociais, cinegrafistas, fotógrafos e donos de meios se mantêm impunes por falta de investigação”.




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