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Ex-funcionário da inteligência colombiana é condenado a 30 anos de prisão pelo assassinato do jornalista Jaime Garzón



Um dia após o aniversário de 19 anos do assassinato do jornalista colombiano Jaime Garzón Forero, uma segunda condenação pelo crime foi apresentada.

Estátua em homenagem a Jaime Garzón, humorista, jornalista e advogado morto em Bogotá em 1999. (Por Chrihern [GFDL (www.gnu.org/copyleft/fdl.html) ou CC BY-SA 3.0 (creativecommons.org/licenses/by-sa/3.0)], da Wikimedia Commons)

Em uma decisão de primeira instância do dia 14 de agosto, um juiz de Bogotá sentenciou José Miguel Narváez, ex-vice-diretor da extinta agência de inteligência DAS (Departamento Administrativo de Segurança), acusado de homicídio qualificado, a 30 anos de prisão, informou o El Colombiano.

De acordo com as investigações judiciais, Narváez sugeriu ao ex-chefe do grupo paramilitar Autodefensas Unidas de Colombia (AUC), Carlos Castaño, que assassinasse o jornalista, "que ele (Narváez) apontou como próximo aos guerrilheiros da ELN", relatou o El Espectador. De acordo com a promotoria, Narváez havia dito a Castaño que o jornalista havia se beneficiado financeiramente ao mediar a libertação de vítimas de sequestro, acrescentou o jornal.

A promotoria também apontou que Narváez "tinha grande proximidade" com Castaño, "a quem ele teria aconselhado sobre questões militares e ideológicas na luta contra grupos subversivos", disse o El Espectador.

"Ele constantemente insistiu para que o chefe do grupo de autodefesa realizasse o crime, para o qual forneceu informações que supostamente ligavam o jornalista às guerrilhas e até mostrou (a Castaño) uma foto  na qual (o jornalista) usava uma jaqueta camuflada em uma área de Sumapas", diz a sentença de Narváez, de acordo com o jornal El Tiempo.

O El Tiempo também notou que, para determinar a sentença, o juiz levou em conta "o dano causado à sociedade pela morte de Garzón" devido ao seu trabalho como jornalista, humorista, assim como seu trabalho humanitário, ajudando os sequestrados. "O dano causado pela morte do supracitado atinge um ponto alto ao atravessar o tecido social", diz a decisão, acrescentou o jornal.

Narváez também terá que pagar uma indenização  de 390 milhões de pesos colombianos (aproximadamente US$ 130 mil) à família de Garzón, disse o jornal.

Em sua defesa, Narváez apontou que não há provas suficientes para conectá-lo ao caso e as testemunhas apresentadas disseram "boatos", assegurando que não tinham conhecimento direto das supostas reuniões entre ele e Castaño, publicou o El Espectador.

O julgamento contra Narvaéz começou em 2011, mas sua sentença só foi determinada agora.

Antes de Narváez, apenas uma pessoa havia sido condenada pelo crime. Em 2004, Castaño foi condenado como autor intelectual, mas a sentença foi definida quando ele já estava morto.

Garzón foi morto por assassinos nas primeiras horas do dia 13 de agosto de 1999, quando dirigia seu veículo para a estação Radionet.

Narváez já tem uma sentença de 8 anos por interceptação ilegal e perseguição a jornalistas, defensores dos direitos humanos e membros de ONGs, disse El Espectador. Ele também é investigado no caso de tortura psicológica e intimidação contra a jornalista Claudia Julieta Duque, que investigou o caso de Garzón.




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