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Blog JORNALISMO NAS AMERICAS

México, Brasil e Venezuela são apontados pela RSF como os piores países para a imprensa em 2014 nas Américas



O novo  Relatório Anual 2014 da Repórteres Sem Fronteiras (RSF) marca um panorama desanimador para a América Latina em matéria de liberdade de informação. Mais uma vez, México e Brasil aparecem como os países mais letais para trabalhadores da imprensa, Venezuela como o país com maior piora nas condições para exercer a profissão e Cuba como o expoente da maior concentração midiática.

“México e Brasil seguem, mais um ano, disputando a sinistra “honra” de ser os países mais letais da América Latina para os jornalistas, com o maior número de informadores assassinados, seguidos de perto por Colômbia e Paraguai”. Assim começa a introdução para América do Relatório Anual da RSF sobre a liberdade de informação no mundo.

Os outros números alarmantes apresentados no documento da organização, com sede na França, apontam a  quantidade de mortes de jornalistas na região. Dos 66 assassinatos de trabalhadores da imprensa no mundo, 3 ocorreram no México, 2 no Brasil, 2 na Colômbia, 2 no Paraguai e 1 em Honduras.

Cabe esclarecer que RSF elabora sua classificação mundial da liberdade de imprensa com base nos casos em que há uma clara conexão entre os assassinatos, prisões e/ou agressões contra jornalistas e o exercício de sua profissão. É por isso que em muitas ocasiões, os números não coincidem con os oferecidos por meios locais ou com relatórios de outras organizações de defesa da liberdade de expressão e imprensa.

No México foram registrados ao menos 8 assassinatos de jornalistas e internautas, embora até a presente data apenas três, de acordo com a RSF, correspondem a casos provados como mortes relacionadas ao exercício profissional. A organização também destacou o efeito amedrontador da violência dos ataques, ameaças e sequestros de profissionais da imprensa, que resultam em uma situação de autocensura informativa no país.

No Brasil, as agressões contra a imprensa se deram principalmente em coberturas de manifestações, como o caso de Santiago Ilídio Andrade, que morreu enquanto cobria um enfrentamento entre a polícia militar e manifestantes que protestavam contra o aumento das tarifas do transporte público no Rio de Janeiro.

Na Colômbia, a ameaça provém de grupos paramilitares, como o “Bloque Capital-Águilas Negras”, que ameaçou jornalistas estipulando um prazo para que eles abandonassem as cidades onde desempenhavam suas atividades.

Paraguai tem sua zona negra na região da fronteira com Brasil, onde reina o crime organizado ligado ao narcotráfico. O número de jornalistas que se atrevem a relatar casos de corrupção nessa área é cada vez menor após casos de jornalistas como Pablo Medina, assassinado pelo exercício de sua profissão da mesma maneira que ocorreu com o seu irmão em 2001.

O estado da liberdade de informação em Honduras é crítico desde o golpe de Estado de 2009. RSF observa em seu informe que ali foi “promulgada uma série de leis para reforçar a militarização da sociedade, segundo o desejo do atual Presidente da República, Juan Orlando Hernández, defensor da “segurança a qualquer custo”.

O relatório cita como exemplo a recém-sancionada Lei de Secredos Oficiais e Desclassificação da Informação Pública, que RSF qualifica como “imprecisa, discricionária e votada de forma apressada” e que constitui “una nova derrota para a liberdade de informação em um dos países mais perigosos da América”.

“Um ano negro para Venezuela”

Embora sem casos de assassinatos na Venezuela, o país retrocedeu 21 posições em apenas um ano no ranking de Liberdade de Imprensa da RSF, ficando em 137º lugar na classificação mundial de 180 países. Depois dele aparecem México, em 148º, e Cuba, em 169º, o pior país latino-americano do ranking, onde as detenções e prisões arbitrárias são cotidianas e resultam na autocensura e na falta de circulação da informação.

A organização ressaltou que o uso da Guarda Nacional Bolivariana (GNB) durante as distintas manifestações contra o governo foi um dos principais fatores da piora da Venezuela. “[2014] foi un ano negro” para Venezuela,  disse a responsável pelas Américas da RSF, Claire San Filippo, em declaração à agência de notícias EFE. A organização Espacio Público já havia apontado que a Venezuela teve o maior número de incidentes registrados dos últimos 20 anos em 2014.

O relatório da RSF menciona números revelados pelo Sindicato Nacional de Trabalhadores da Imprensa (SNTP) da Venezuela, que registrou, até o mês de junho, 231 agressões a comunicadores durante os protestos, dos quais 62% cometidas pela GNB.

Em novembro do ano passado, membros da GNB ameaçaram de morte três jornalistas quando cobriam a greve de fome iniciada por alguns presos na prisão de Uribana (estado de Lara), como protesto pelos maus-tratos que no sistema penitenciário.




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