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FBI classifica repórter da Fox News como possível "co-conspirador"



Autoridades federais dos Estados Unidos vasculharam os e-mails pessoais de um repórter da Fox News e o classificaram como um possível criminoso e "co-conspirador" como parte da investigação dos vazamentos de 2009, segundo o Washington Post e a Fox News. Essa é a segunda polêmica em oito dias que coloca em questão até onde pode ir o governo Obama para obter informações pessoais de jornalistas com o objetivo de processar os informantes e punir os vazamentos.

James Rosen. Photo via Fox News

Segundo o Washington Post, como parte de sua investigação contra o conselheiro do governo Stephen Jin-Woo Kim, o Departamento de Justiça obteve registros das conversas do correspondente chefe de Washington da Fox News James Rosen e de suas visitas ao Departamento de Estado, bem como um mandato de busca de seus e-mails pessoais. Kim é acusado de violar o Ato de Espionagem por ter vazado informações a Rosen em 2009 sobre os planos da Coreia do Norte de realizar um teste nuclear como resposta às sanções dos EUA.

A Fox News disse que, em uma declaração pedindo o mandato, o Escritório Federal de investigações também chamou Rosen de “co-conspirador” e o acusou de de ajudar a divulgar informações de segurança não autorizadas.

O governo Obama tem enfrentado uma onda de críticas desde a semana passada, quando a Associated Press noticiou que o Departamento de Justiça teve acesso de forma secreta a registros telefônicos de dois meses de mais de 20 linhas de telefone da agência de notícias como parte de uma investigação de 2012. A revista Slate descreveu os acontecimentos recentes como "a guerra de Obama contra jornalistas" e o Washington Post disse que seu governo "confunde jornalismo com espionagem."

Muitos consideraram o caso de Rosen especialmente alarmante, já que o repórter foi classificado como co-conspirador por pressionar uma fonte para obter informação e, essencialmente, fazer seu trabalho como jornalista.

A tentativa de redefinir a cobertura da segurança nacional como crime é inédita", disse Julian Sanchez do Instituto CATO. “O governo pode ou não ser bem-sucedido em prender os responsáveis pelos vazamentos (ou, talvez em algum ponto, repórteres), mas o que ele quer é garantir que as fontes do governo estejam com medo demais para falar com a imprensa sem aprovação de seus superiores.”

O Comitê para Proteção dos Jornalistas, que enviou uma carta hoje ao Procurador Geral Eric Holder criticando a captura dos registros telefônicos da AP, também expressou preocupação em relação ao caso de Rosen.

"Os esforços do governo dos EUA em processar informantes a partir de informações obtidas de jornalistas têm um efeito alarmante no país e enviam uma péssima mensagem a jornalistas do resto do mundo que estão lutando contra a intrusão do governo", disse o Diretor Executivo do CPJ, Joel Simon.

O governo Obama tem seis oficiais do governo, na ativa e aposentados, indiciados por acusações relativas aos vazamentos, mais do que todos os outros governos dos EUA juntos.




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