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Portal de internet fará transmissão das Olimpíadas de Londres em 36 canais simultâneos e tem patrocínio de R$ 120 milhões



R$ 120 milhões em patrocínio, 36 canais simultâneos em HD e 220 profissionais envolvidos -- 84 deles em Londres. Com um investimento desse porte, o portal Terra é o detentor da trasmissão das Olimpíadas de 2012, em Londres, para internet, celular e tablets, segundo o Meio e Mensagem.

Estima-se que sejam transmitidas 4.760 horas de imagens e que cerca de 40 milhões de pessoas assistam à transmissão, segundo o Olhar Digital. Empresas como Bradesco, Ford, Sadia e Vivo são patrocinadoras, informa o próprio Terra.

O aparente ineditismo de um investimento tão grande na cobertura pela internet de um megaevento chamou a atenção do Centro Knight para o Jornalismo nas Américas. Por isso, entrevistamos Antônio Prada, diretor de conteúdo e produto do Terra na América Latina. Na entrevista, realizada por telefone, Prada afirma que a desconfiança em relação ao retorno financeiro na internet é uma falsa questão e aposta que, no futuro, os investimentos em transmissões on-line de eventos como as Olimpíadas serão ainda maiores.

Como foi a negociação para a compra de direitos de transmissão via internet das Olimpíadas? Pode dizer o montante da negociação?
Nós já havíamos comprado os direitos de transmissão das Olimpíadas de Beijing, em 2008, e logo partimos para negociar as Olimpíadas de 2012. Compramos da emissora Record os direitos para transmissão via internet e celular no Brasil diretamente do Comitê Olímpico Internacional (COI) os direitos para transmissão para a América Latina. Infelizmente, não posso dizer o valor da negociação.

Além da venda de patrocínios em R$ 120 milhões, o Terra será a única empresa do ramo credenciada como online broadcaster, com estúdio no International Broadcasting Center. Um investimento desse porte em transmissão on-line parece inédito, principalmente se considerada a desconfiança que comumente se tem em relação à capacidade de retorno financeiro na internet. Você considera que essa desconfiança está sendo minada?
A internet tem se inserido como grupo de mídia de fato há muitos anos, não só pelo desejo das empresas de internet, mas também do consumidor. Hoje, consome-se mais internet e celular do que televisão. Isso é um exemplo do que faz a internet ser protagonista nesse tipo de cobertura. Isso tem tudo a ver com a relação do consumidor com a cobertura -- na internet, ele tem contato com várias telas --, que aponta pro lado do desenvolvimento tecnológico. Por natureza, a web é multilinguagem. Em Beijing, pela primeira vez, um evento olímpico foi transmitido em canais simultâneos de vídeo. Já foi algo inédito naquela época, com transmissão de até 10 canais ao mesmo tempo. Agora, em Londres, vamos transmitir ao mesmo tempo até 36 canais, o que é outro feito inédito. Claro: uma vez que a importância da cobertura pela internet é entendida pelo mercado, conseguimos investir mais em elementos além do vídeo. Para uma boa cobertura, é necessária uma equipe grande por trás.

Com a venda de todas as cotas de patrocínio, no valor de R$120 mil, você considera então que vale a pena investir na internet? Esse caso pode significar um divisor de águas para a maneira como a internet é vista financeiramente?
Sempre acreditei nesse projeto. Trabalho com internet há 15 anos e já digo há muito tempo que ela é absolutamente confiável, tanto em termos financeiros quanto de audiência.Com cobertura de eventos como essas Olimpíadas, fica cada vez mais claro que essa é uma falsa questão [a impossibilidade de retorno financeiro na internet].

Por mais inédito que seja esse patrocínio de R$120 milhões e a confiança que tem se depositado na internet, o investimento ainda é muito menor que o recebido por outros meios. A Record, por exemplo, faturou R$ 400 milhões em patrocínio pela cobertura dessas mesmas Olimpíadas de Londres.
Nós temos de trabalhar no escopo que temos. E, infelizmente, o que esses números mostram é uma anomalia no mercado, que não paga o que a internet gera de audiência e de relevância. Isso está em jogo, mas mesmo assim nós produzimos conteúdo de qualidade, continuamos vendendo cotas de patrocínio para projetos como esse, conseguimos fazer uma boa pergunta e ter uma empresa saudável financeiramente. Claro: se o mercado pagasse o que a internet gera de audiência e de relevancia, o número seria maior. No Brasil, a estrutura de comunicação ainda tem uma base muito forte na televisão. Isso é diferente em outros países. Nos Estados Unidos, por exemplo, quando uma emissora perde audiência, ela perde também dinheiro publicitário. No Brasil, isso não acontece -- e não só porque a televisão ainda tem grande importância na cultura brasileira. Acho que deveria haver uma relação métrica entre números de audiência e números de investimento. No entanto, por mais que a internet ainda cresca menos do que deveria, a mentalidade da publicidade de forma geral está mudando..

Você acha, então, que o futuro é de empresas exclusivamente digitais?
Acho que o futuro são empresas que acreditem nesse universo digital, sejam elas puramente digitais ou híbridas. Mas eu acredito muito em empresas de características totalmente digitais: você não tem o rabo preso com mídias antigas. Sem rabo preso, você pode mudar um produto imediatamente. Fazer isso é um ponto bastante positivo.

Há alguns anos, algumas empresas de mídia têm optado por vender seus conteúdos on-line em vez de disponibilizá-los de forma gratuita. A justificativa é que, sem a venda do conteúdo, essas empresas não conseguiriam se manter financeiramente. O conteúdo dessa megacobertura das Olimpíadas de Londres será gratuito. Você vê uma discrepância? Como a explica?
Eu acredito num conteúdo totalmente aberto. Essa questão de cobrança de conteúdo é problema da velha mídia, que sempre sobreviveu disso. Afora a televisão, que sobrevive só de publicidade, os outros meios de comunicação 'antigos' sempre contaram com a venda de conteúdo. É difícil mudar para um munto totalmente diferente.



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