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Diretores e ex-editor de jornal são condenados a prisão e a pagar uma indenização milionária ao presidente do Equador




A Justiça equatoriana condenou os diretores e um ex-editor de opinião do jornal El Universo a três anos de prisão, além do pagamento de uma indenização de 40 milhões de dólares ao presidente Rafael Correa por calúnia e difamação, informou a EFE. Em fevereiro, no editorial "NÃO às mentiras", o mandatário foi acusado de ordenar que agentes de seguranças atirassem "à vontade" contra um hospital durante uma rebelião policial, em setembro de 2010. A sentença foi anunciada na quarta-feira 20 de julho de 2011, dias após uma tentativa de conciliação por parte da publicação, que propôs uma retratação, rejeitada por Correa.

Emilio Palacio, que, no início do mês, havia renunciado ao cargo de editor de opinião em uma tentativa de salvar o jornal, foi considerado o autor do crime, por ter escrito o editorial. Carlos, César e Nicolás Pérez, diretores da publicação, foram condenados como "coautores coadjuvantes", explicou a AFP. Os réus pagarão, de forma solidária, 30 milhões de dólares de indenização ao presidente. O diário deverá dar ao mandatário outros 10 milhões, acrescentou a agência.

Correa havia pedido 80 milhões de dólares de indenização. O advogado do presidente, Alembert Vera, disse que apelará da decisão, para tentar conseguir esse valor, informou a FUNDAMEDIOS.

Na quinta-feira 21 de julho, o El Universo publicou uma capa em branco com a palavra 'Condenados' e uma citação contra o autoritarismo da escritora e filósofa Ayn Rand. Além disso, anunciou que seus diretores recorrerão da decisão.

A sentença foi duramente criticada por jornalistas e organizações de defesa da liberdade de expressão, que a consideraram uma "condenação à imprensa", segundo La Voz de América.

Palacio ironizou: "O juiz emitiu a sentença de madrugada. Que rapidez", disse o ex-editor do jornal em seu Twitter, de acordo com o Hoy.

Para a Repórteres Sem Fronteiras (RSF), a decisão da Justiça equatoriana "coloca em evidência uma estratégia das autoridades equatorianas que busca calar os meios de comunicação no país, atualmente muito criticados pelo presidente Correa". A RSF também considerou a sentença "inoportuna", por ter sido divulgada em pleno debate, no Congresso, da futura Lei de Comunicação.

A Sociedade Interamericana de Imprensa (SIP) considerou a decisão um "grave golpe aos mais essenciais princípios da liberdade de informação".

Já Correa declarou se tratar de um marco, porque "começa o fim de todos esses abusos da imprensa corrupta", segundo o Semana.com. Para ele, a partir de agora, os veículos "pensarão dez mil vezes antes de danar a honra de alguém".

Veja a seguir um vídeo da Telesur sobre a decisão e protestos de funcionários do jornal.



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